quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Cientistas querem nova categoria na classificação de ciclones.

Com ventos sustentados a 315 quilômetros por hora e rajadas a quase 380 quilômetros por hora, o supertufão Haiyan, que atingiu a Filipinas na sexta-feira (8), foi o mais forte ciclone tropical a tocar terra nos últimos tempos.  Tanto que, em listas de discussão de climatologistas, alguns profissionais estão sugerindo o acréscimo de um sexto nível na escala Saffir-Simpson, que permite classificar ciclones tropicais de acordo com seu potencial destruidor.

O argumento é simples.  A escala de Saffir-Simpson é indexada de acordo com a velocidade do vento, sendo que um aumento de 30 quilômetros por hora faz um ciclone passar para a categoria acima.  Mas o pico da escala –a categoria 5– é atingido por ventos a partir de 252 quilômetros por hora.  O Haiyan superou esse limite em mais de 60 quilômetros por hora: não seria legítimo acrescentar um sexto nível?

A questão tem voltado com cada vez mais frequência.  Após a passagem do furacão Sandy, no final de outubro de 2012, pela costa leste americana, o ex-vice-presidente americano Al Gore já havia sugerido que seria necessária uma sexta categoria de ciclones.

“Muitos meteorologistas tropicais acham que a escala de Saffir-Simpson está obsoleta e que ela deveria ser substituída”, diz Kerry Emanuel, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), uma das referências em pesquisa sobre ciclones tropicais.  “Mas, pessoalmente, penso que toda escala pode ser enganosa.  O problema é que nenhum número simples consegue traduzir a natureza particular da ameaça apresentada por um ciclone.  Para alguns, a destruição pode ser provocada sobretudo pelo vento, para outros pelas marés, e para outros ainda pelas inundações.”

Para os defensores da criação da categoria 6, a decisão seria comparável à que foi tomada pela Agência Meteorológica australiana em janeiro, que consistiu em acrescentar uma nova cor –o roxo– aos mapas de temperatura para dar conta das últimas medições, superiores a 50 graus Celsius.  Essa nova convenção também tinha valor de alerta: com o aquecimento global, tais recordes estão fadados a ficar.

O acréscimo do sexto nível na escala oficial procederia do mesmo alerta.  Só que a questão das relações entre o aquecimento global e a frequência ou a intensidade dos ciclones tropicais é delicada.  Será que no futuro haverá mais ciclones tropicais muito potentes?  A associação parece lógica: esses últimos só se formam quando as águas de superfície dos oceanos excedem os 26 graus Celsius.  Com o aquecimento global, o aumento da temperatura dos oceanos é certo, e foi exatamente porque as águas do Pacífico norte estavam particularmente quentes que a força do Haiyan se mostrou fora do comum.

No entanto, em seu último relatório, entregue em setembro, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) avaliava que a chance de que esse fosse o caso era de somente 50%.  Ele também considerou que as medições imprecisas e a falta de recuo são grandes demais para poder atribuir ao aquecimento global essa tendência… uma estimativa que Emanuel considera “conservadora demais”, assim como muitos especialistas que estão esperando sem muitas dúvidas por um recrudescimento dos ciclones de categoria 4 e 5 neste século.

Embora a questão da associação entre aquecimento global e ciclones ainda se encontre relativamente incerta, outros efeitos do aquecimento climático reforçam seu potencial destruidor sem sombra de dúvida.  A chegada de um ciclone nas costas sempre vem acompanhada de uma “onda de tempestade” ou “maré de tempestade”, na qual o mar se eleva em razão da baixa pressão que domina no centro do sistema ciclônico.

Só que essas bruscas marés –mais de quatro metros de altura no caso do furacão Sandy– são agravadas pela elevação do nível dos mares, uma das maiores consequências do aquecimento climático.  Nas Filipinas, o Haiyan fez com que as águas do mar adentrassem a terra por vários quilômetros, causando danos consideráveis.  Desde 1960, segundo a rede Global Sea Level Observing System, o mar já subiu mais de 20 centímetros ao longo do arquipélago filipino, fragilizando mais suas costas diante desse tipo de fenômeno.

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